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Dra Ana Lucia Lei Munhoz Lima
Serviço de Infecção
Instituto de Ortopedia e Traumatologia - HCFMUSP
INTRODUÇÃO:
Desde a segunda semana de março avolumam-se casos de gripe, inicialmente chamada de suína, em locais onde a ocorrência do vírus Influenza não era esperada para essa ocasião do ano.
Os primeiros casos foram verificados em uma província mexicana que tem como atividade principal a criação de porcos, daí a origem do nome inicial que foi dado a esse tipo de gripe por vírus Influenza.
O vírus Influenza é frequentemente responsável por casos de gripe sazonal e possui três tipos A,B,C. Os tipos que mais frequentemente acometem o homem endemicamente ou em epidemias são A e B.
Vários subtipos são descritos e nomeados conforme a identificação da hemaglutinina e neuraminidade de sua superfície: H e N.
O vírus encontrado nos casos atuais descritos é o A: H1 N1 com constituição genômica não verificada anteriormente no ser humano. Existe em suínos e o contato próximo com esses animais foi responsável pela introdução do vírus na comunidade.
A humanidade já foi vitimada pelo vírus Influenza de forma drástica em algumas ocasiões como em 1918 - Gripe Espanhola (H1N1) que vitimou quase 100 milhões de pessoas, 1957 - Gripe Asiática (H2N2)- 4 milhões de mortes, 1968 - Gripe de Hong Kong (H3N2)- 3 milhões de mortes e mais recentemente em 2003 - gripe aviária (H5N1) com pouca capacidade de transmissão inter-humana.
O vírus A: H1N1 atual,tem capacidade de alta transmissibilidade inter-humanos o que motivou a rápida disseminação mundial: ao redor de 5200 em 33 países (13/5/09)
QUADRO CLÍNICO / DIAGNÓSTICO:
O quadro clínico não difere da gripe clássica por Influenza, caracterizado por febre alta e sintomas respiratórios de início abrupto, mialgia, cefaléia, eventualmente náuseas e vômitos
Para ser considerado como um caso suspeito da gripe Influenza A são necessários os sintomas acima em pessoas provenientes dos países com casos confirmados, nos últimos 10 dias, ou contato próximo com pacientes com diagnóstico confirmado.
Após a suspeita clínica e epidemiológica, os pacientes devem ser encaminhados para coleta de swab oral e realização de teste confirmatório. Esse teste está sendo realizado em SP no Instituto Adolfo Lutz, no Rio de Janeiro na Findação Oswaldo Cruz e no Pará no Instituto Evandro Chagas. Deve-se ressaltar que somente será realizado em pessoas com clínica e procedência compatível.
ORIENTAÇÕES:
Cuidados sugeridos com os suspeitos:
-Tossir e espirrar com proteção de lenços descartáveis
- Usar de máscara cirúrgica comum durante toda a permanência no hospital ou lugares públicos
-Internação em quarto privativo com pressão negativa, isolamento respiratório e de contato
-Repouso domiciliar até 24 horas após o desaparecimento dos sintomas
-Não ter contato nesse período com pessoas com risco maior de formas graves da doença: crianças, idosos, grávidas e imunodeprimidos.
-Ingestão de líquidos e medicações sintomáticas
-Procurar médico se houver alteração no quadro clínico inicial
-Lavagem freqüente das mãos
Cuidados sugeridos para os profissionais da área de saúde:
-Manter os suspeitos com máscara durante o atendimento
-Uso de máscara N95 quando necessário realizar procedimentos
-Em caso de exposição acidental com caso confirmado procurar serviço médico para ser avaliado necessidade de mediação específica.
-Lavagem freqüente das mãos
TRATAMENTO:
Além das orientações de suporte e sintomáticos, pode ser utilizado oseltamivir, antiviral com eficácia na infecção inicial pelo vírus Influenza. Esse antiviral tem como objetivo diminuir a tempo de excreção viral e de evolução da doença, talvez impedindo evolução para formas graves.
COMPLICAÇÕES:
Em adultos jovens e crianças tem sido observada evolução para acometimento pulmonar importante com insuficiência respiratória que pode levar ao êxito letal.
As complicações bacterianas secundárias também podem agravar o curso da doença.
Não há restrições formais da Organização Mundial de Saúde em relações à viagens, mas é sugerido que os deslocamentos sejam adiados sempre que possível.
